Historial



A Banda Sinfónica da Polícia de Segurança Pública, como grupo orgânico da PSP, assume a sua origem histórica no processo de criação de um corpo policial em Portugal. Se o primeiro corpo de agentes policiais foi criado por D. Fernando I, os chamados “Quadrilheiros”, nos idos anos de 1383, no que diz espeito à origem da Banda Sinfónica da PSP, contaremos mais quatro séculos e meio, para o seu aparecimento. No decurso histórico da instituição policial, numa tentativa de resposta à necessária manutenção da ordem e da paz pública, muitas são as “Resoluções e Leis” que criam, extinguem e sobrepõem organismos policiais. É com Pina Manique, que a Intendência Geral de Polícia alcança o reconhecimento público das suas acções no combate ao crime, sendo que, em resultado da reorganização dos serviços, é fundada em 25 de Dezembro 1801 a Guarda Real de Polícia, instituição que vai albergar no seu efectivo a Primeira Banda de carácter militar em Portugal. A partir desta data, muitas são as instituições militares que tomam como seu, o modelo da Banda da Guarda Real de Polícia. Como refere Albino Lapa, “foi a primeira organização militar armada que existiu para manter a segurança pública… Dada a grandeza que usufruía não podia por isso deixar de ter uma Banda de Música… que tinha a sua sede na Costa do Castelo”, fica então claro que este modelo surge num contexto policial de manutenção de paz e ordem pública, razão pela qual a Banda Sinfónica da Polícia de Segurança Pública arroga os pergaminhos históricos da Banda da Guarda Real de Polícia. Com o decorrer dos anos, fruto de políticas e conveniências próprias das épocas, as forças policiais vão sofrendo alterações na sua organização: extinguindo-se umas, criando-se outras, sobrepondo-se até. Percorrendo o caminho do tempo, assistimos à criação e extinção, da Guarda Nacional (1823, associada aos Liberais), da Guarda Municipal do Porto e de Lisboa, (1834, última força a render-se às mãos dos Republicanos) e somos chegados ao Corpo de Polícia Civil, criado pelo Rei D. Luís, em 2 de Julho de 1867, instituição que lança as bases para a criação da actual Polícia de Segurança Pública. Neste emaranhado de instituições policiais, paradoxalmente convergentes nos objectivos, a música foi o elemento sempre presente. Por isso, em 1925, o Capitão José Esteves Graça, a prestar serviço na Polícia Cívica de Lisboa, assume a regência de um grupo de músicos desta instituição formando assim a Banda de Música do Corpo de Polícia Cívica de Lisboa. Em 1927 a Polícia Cívica de Lisboa adota a designação de Polícia de Segurança Pública, continuando, desde sempre, a Banda a fazer parte da sua orgânica. Entre 1927 e 1950 sob a chefia do Capitão Armando Fernandes a Banda desenvolve o seu nível artístico ao ponto de obter o primeiro prémio no concurso de marchas militares, realizado em 1936 pela Emissora Nacional de Radiodifusão. No período que vai de 1959 a 1969, cabe ao Alferes Álvaro Sousa a condução melódica da obra artística, sendo sucedido nesse desígnio pelo Capitão Pinto Rodrigues que se mantem em funções até que, em 1979, o Major Silvério Campos assume o comando, naquela que será a nova fase histórica, artística e institucional da Banda Sinfónica da Polícia de Segurança Pública. A 28 de Abril de 1981 na lavra do Dec. Lei 88/81 é constituída oficialmente a Banda Sinfónica da PSP, sendo posteriormente definidas as normas de execução permanente em NEP publicada na OS nº 129 (I Parte) de 10 de Agosto 1982. Com o carácter sinfónico a Banda trilha os caminhos do reconhecimento institucional, afirmado pelas referências elogiosas outorgadas pelo Comandante Geral General Monteiro Pereira, em 07/07/1994 e por Sua Exª. Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, em 29/11/1996, bem como pelos Louvores atribuídos pelo, Comandante Geral da PSP em 18/12/1995, em 18/12/1996 e pelo Comandante do DAG em 10/01/2013 e do sucesso artístico atuando nos mais distintos palcos, no país e no estrangeiro. Aquando das comemorações do 128º aniversário da Cruz Vermelha Internacional é agraciada com o diploma e medalha de agradecimento pela “Espontânea e Valiosa Cooperação“ prestada a esta instituição. É também “Benemérita de Honra da Ordem Hospitaleira em Portugal e das Celebrações Culturais do V Centenário do Nascimento de S. João de Deus”. Internacionalmente representou o país e a Polícia de Segurança Pública em 1997, no “7º Festival Internacional de Bandas” em Saumur, França e em 2000, participa a convite no “5º Festival Internacional de Bandas” realizado em Saint-Étienne, atuando para um grupo de melómanos que enchia o teatro Massenet. A Banda Sinfónica da Polícia de Segurança Pública, jovem no carácter e madura nos pergaminhos, relevando a sua origem histórica, reflectiu sempre uma posição de vanguarda nos movimentos artísticos portugueses. A sua interacção com a sociedade e com a academia, levou-a a ser pioneira em muitas das actividades levadas a cabo ao longo da sua história, nessa medida, foi pioneira na gravação regular de suportes áudio para editoras nacionais e estrangeiras, na realização de concertos com a participação de concertistas de renome (nacionais e internacionais), no convite a maestros, reconhecidos nacional e internacionalmente, para a dirigirem em concerto, colaborando com academias e universidades na realização actividades de formação em direcção de banda, na coadjuvação de alunos dos cursos de direcção de banda participando nas defesa das suas teses, no convite a jovens compositores para escreverem para banda, na colaboração com músicos e artistas dos mais diversos géneros musicais, que vão do fado ao rock passando pelo jazz. Assume como ponto alto destas colaborações o espectáculo realizado em 2005 no Teatro Olga Cadaval, em Sintra, onde acompanhou em concerto Maria João e Mário Laginha e a colaboração com a Associação Portuguesa de Saxofone, no primeiro congresso deste instrumento, em que a teve o privilégio de acompanhar os quatro maiores nomes do Saxofone mundial, Claude Delangle, Mário Marzi, Henk van Twillert e o quarteto Saxofínia. Em Julho de 2012 realiza pela primeira vez, a nível mundial, a “I Semana Académica” Master-Classe em Direcção e Performance, acção que permite que alunos das escolas de ensino artístico trabalhem ao mais alto nível, inseridos num agrupamento musical profissional, apresentando-se no final em concerto público. Precingida de uma atmosfera de condicionalismos impostos pelas realidades em que está inserida, a Banda Sinfónica da PSP, conta com um quadro de músicos de elevada formação artística, académica e profissional, coordenados pelo actual Chefe em Exercício e Director Artístico Comissário Ferreira Brito, para continuar a servir a Polícia de Segurança Pública e Portugal.